sábado, 18 de dezembro de 2010

Carinho à todos.

Legião Urbana - Sexo Verbal


Eu realmente queria escrever sobre isso. Essa é uma época muito especial... e a magia disso tudo está mesmo dentro da gente. É a pura verdade de que somos nós quem fazemos a magia do natal, sempre. Não só do Natal, mas de Dezembro, que é um mês mágico, mesmo.
Pra mim essa consumação de felicidade, relfexão do ano, caridade, família, enfeites, presentes, tudo é tão divino.
Eu realmente queria que todas as pessoas tivessem essa sensação. Queria que todo o mundo se preparasse, assim como eu, no começo de Dezembro e ficasse contando os dias, dizendo pra si mesmo todo dia que está chegando, está chegando, e assim entrar de cabeça no espírito disso tudo, se envolver mesmo.
Acima de tudo é tempo de agradecer. Não, não sou católico, e desculpe, nem penso tanto na real causa do natal, o nascimento de Jesus, porque com o tempo ele foi sendo tão envolto de milhões de outros motivos que hoje pouco se lembra do aniversário. Tiveram seus motivos, mas acho que ainda assim Jesus gostaria, digo, deve gostar muito do que fazem em seu aniversário. O feriado mais famoso, mais caridoso, mais unido, definitivamente ele gosta.
Eu queria que todos pudessem sentir a vibração. O mesmo êxtase que eu sinto quando vejo uma decoração de natal, um presente embrulhado, uma rabanada, uma guirlanda, um papai noel e... ah... uma árvore de natal. Eu sinto vontade de chorar quando a vejo, uma síntese de tudo de mais belo.
Eu realmente quero que todo mundo sinta isso.
Que a união, a caridade, a paciência e a sabedoria do meu coração possam ser emanados pra todas as pessoas do mundo, desde os necessitados no Haiti, até à áfrica, sempre carente, desde os monges tibetanos até o Vaticano, desde os arrogantes americanos, até meus amados franceses. Desde o nordeste seco, sem árvores ou bolas, até o sul nevado. Que todos os carentes, mendigos, crianças, adultos, jovens, idosos, deficientes, gays, negros, brancos, índios, amarelos, ricos, pobres, homens e mulheres em todo o mundo sintam essa energia.
Que sinta o meu coração transbordar de vontade de querer mudar o mundo, ou ao menos, por um dia, por uma noite, aquecer corações por todo esse planeta e fazê-los ter certeza de que existe uma razão pra se viver.




Eu sei...

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Pontas.

Katy Perry - Fireworks

É engraçado. Eu sempre me achei especial. Sempre me achei diferente. Melhor que um monte de gente em algumas coisas. Mas aí me surpreendem. Minha arrogância de achar que está tudo como deveria estar, nunca está. Nunca estará. Se está estático não tem movimento, e sem esse não há amadurecimento. Sonhei em achar que eu era o cara, que todos a minha volta eram infantis demais. Mas como sempre são os tapas, aqueles bem dados que te acordam. Claro, de onde você não espera, e do jeito que você não imagina. Obrigado Bianca.

Eu realmente estou realizado. De estar onde estou, de ter superado toda a distância das origens, de toda a saudade, da nostalgia, e de concluir esse ciclo grandioso. Estou muito muito contente por ter vindo pra Rio Preto, ter conhecido várias pessoas incríveis, adoráveis, amáveis...Eu realmente vivi nesses anos que passei aqui. Aproveitei as vezes que o bonde da oportunidade passou e peguei ele com vento rasgando o rosto sim. Mas essas cicatrizes me fizeram muito melhor. Fui e voltei na minha essência, e ela voltou renovada, revigorada, minha mesmo.

Mas não poderia fazer nada, nada disso sem agradecer. Sem finalizar esse ciclo e realmente FINALIZAR todas as pontas do tear daqui. Tem algumas, bem importantes no aprendizado, que ficarma desprendidas. Que foram tão puxadas que estouraram...e ainda que não venham a fazer parte bontia do desenho de outrora, meu novo desenho precisa delas também, porque pro bem ou pro mal elas definiram isso aqui. O novo eu, construído em composição intermunicipal. Preciso fechar essas pontas soltas. De uma vez...




Que começe um novo ciclo...

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Demasiado pequeno para a matéria.

Evanescence - Breathe No More

Já faz tempo, eu nem sei mais como começar.
Começarei como sempre, por uma talvez narrativa. Tenho vivido. Sim vivido. Depois de períodos torpes, escuros e depressivos eu vivo. Deixei...não...talvez tenha aprendido a deixar de lado a sobrevivência, e passei a buscar a vida. Mas se ela estivesse suficientemente boa, eu não estaria aqui. Qualquer um que minimamente me conheça, saberá que quando escrevo, é porque tem algo errado, algo me incomoda e em raros casos algo transborda em mim. Não mudei, não nesse ponto. Algo continua errado.
Eu me esforço, primorosamente, arduamente, a acreditar que tudo isso passará. Que são só mais duas semanas.
Eu que passei meses assim, por uma força do cansaço me livrei, agora de alguma forma sinto falta. Certo alguém diz que tem mais...muito mais do que meu olho pode enxergar. Mas pra mim, continua não fazendo diferença. Está feito, sempre esteve e nunca teria tido outro rumo. Nunca.
Mas o descanso das patadas, o maior afastamento, o espírito de uião de fim de ano, tudo isso conspiram pra minha nostalgia. Como mulher de covarde sim...
Eu passei nove meses sendo partido, em tantos pedaços que mal podia enxergar...
Foi tudo tão sutil e tão intenso. Quando dei por mim estava vazio...vazio de vida, vazio de arte, vazio de amigos, vazio de vida. Quando dei por mim eu era um espelho. Um espelho que refletia uma imagem que não era a minha. Eu estava tão fragmentado que a transparência do meu ser, a ausência de conteúdo me tranformou no espelho de outro alguém. Cheio de pose, vaidade e estupidez. Eu era um espelho. Quando próximo do parto, depois dessa longa e maldosa gestação, dei-me conta do tempo perdido. Dos pedaços partidos e do conteúdo vazado. Por cansaço de refletir, decidi olhar em volta. E me choquei. Durante duas semanas me choquei com o resultado de oito meses de doação doentia. Eram tantos pequenos e metálicos pedaços que mal podia tocá-los. Sua lâmina me cortaria e jamais terminaria aquela tarefa vivo. Então eu só deixei...deixei de refletir. Me virei de costas, e tudo que ele via era a madeira mofada das minhas costas cansadas. Comecei a andar, andar, e andar. Voltei a ter alguma forma, aos poucos...fui ficando menos transparente...e depois de dois meses, dois longos meses, consegui com alguma dificuldade voltar a ser quem eu era. Voltei com toda a originalidade, arte, vida e personalidade que eu sempre tivera. Aquilo que por reflexão, sumira e nunca mais ameaçara voltar. Agora, quando presumo minha complexidade de voltar, mas com toda a profundidade exigida, me vem a incerteza. Eu olho pra traz e vejo tudo que passou. Olho pra trás e vejo o refletido que ficou. Não é como se fosse saudade, ou o é. É uma urgência no peito que dá, não sabe se vai ou se fica, se corre ou se deita, não sabe o que fazer e me deixa mal. Por dar margem à uma saudade doentia e nojenta. Por dar margem à uma doença que há três anos não me assola e vivo muito bem obrigado. Por dar margem ao que não deve ser. Eu me parti, me perdi, refleti, sangrei e retornei. Agora não admito repetir a torpe sequência. Quero continuar, é tudo que eu quero...





Só mais duas semanas.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Forever Dream...

Glee - Teenage Dream

Tem horas que eu deixo a peteca cair.
Tem horas que me esqueço que um dia, por alguns segundos, ou horas, vendo um filme ou ouvindo uma música tive um impulso.
O impulso de vontade de viver, de certeza de ser quem sou, de estar no lugar certo, e de conseguir alcançar tudo o que quero na hora devida. Um impulso de vida, de vontade de ser, de estar e de permanecer.
Uma certeza de ser encontrado, por alguém, em algum momento, em algum lugar e estar bem. Uma certeza de que há alguém, apesar de toda a complexidade, chatisse e mal-humor.
Porque eu estou mudando e esse certo alguém também virá preparado e maduro pra isso.
Não são só sonhos de adolescente, não só utopias de vida, porque eu tenho sempre que acreditar no lado bom da vida, fazer minha felicidade a cada dia e respirar ar novo e revigorante a cada dia. E a qualidade do ar depende da boa vontade dos meus pulmões e não da atmosfera local.
Posso mais uma vez ter tido o impulso por terceiros, por indicações, por visões...mas são essas coisas que me e nos fazem lembrar de como somos e como podemos ser. Do quanto podemos ser, e de quando podemos ser.
O momento é agora, a pessoa sou eu, o jeito é o meu e a quantidade é pura sensação.
Sou intenso e sempre serei, então botemos pra fora tudo de bom nessa hora, e como diz Clarice, olhemos no relógio e vejamos os segundos passarem nesse momento de alegria pra sentir que ele é grande, e durará pra sempre.

Don't ever look back..Never.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Levofloxacina

Cold Summer - Seabear

Eu estou com uma bactéria.
Ela vive no meu corpo transformando-me.
Sugando toda a minha nutrição, e transformando em lixo.
Há dois meses, eu estou com uma vida dentro de mim.
Por algum motivo ela veio, devem de fato ter sido as ostras do feriado cívico.
Ela tem estado dentro de mim, durante um mês e meio sem meu conhecimento.
Me fez muito mal, me fez doente, me fez estranho, me fez outro eu.
Esse microorganismo que insiste em se prender a meu corpo e me sugar a vida.
Me fez perder quatro quilos.
Quatro quilos dos quais fazem falta num equilíbrio já escasso de uma vida intensamente complexa.
Eu tenho algo dentro de mim.
Mas a partir de hoje isso vai sair.
A partir de hoje isso vai mudar.
Porque eu decidi mudar.
Porque bactérias têm que sair.
Porque a vida deve acontecer.
Porque numa estranha conexão meus dois meses perdidos multiplicados pelos meus quatro quilos roubados representam a cultura de bactérias durante todo um ano.
Minha mudança vem... e com ela a morte da bactéria.
Porque eu não nasci para carregar ninguém, pra ser subestimado, roubado, ou por ventura criticado por ninguém. Nem por uma bactéria.
A partir de hoje, a bactéria vai sair, e com meu consentimento, o mal que ela me fez durante oito meses também.
Chega de cultuar agentes infecciosos.
Porque enquanto um antibiótico mata a bactéria, minha vida mata outras tantas que insisti em infectar-me.
Achei o caminho naquele poço fundo demais, achei a luz no fim daquele túnel, achei a lupa pra minha cegueira da razão.



Achei um remédio pra matar bactérias.

sábado, 6 de novembro de 2010

Trauma.

Pessoas são complexas. Pessoas são estranhas. E pessoas são traumatizadas. Sim todos nós somos.
Ninguém recebeu um manual quando nasceu, ao fazer 10 anos ou muito menos espero receber aos 18. Sim, somos complexos.
Não pedi pra ser assim, não pedi pra ser estranho nem diferente. E se pudesse, sim eu mudaria tudo isso. Queria ser mais fácil, mais simples e mais lidável. Mas não sou...
Aconteceram sim várias coisas na minha até hoje, e tenho certeza que coisas horríveis ainda acontecerão...isso meio que faz parte, acho. Mas o fato de eu sentir as coisas como sinto, e ser como sou...
Não sei, eu realmente não sei nada sobre isso.
Só espero realmente que existam pessoas sabe...
Pouquíssimas pessoas...digo pouquíssimas mesmo me conhecme profundamente. Conhecem todos os meus lados, todas as minhas formas...
E eu realmente espero que alguém saiba e queria lidar com isso por uma vida toda...
Eu não sou alguém maleável, sou inconstante, sou incoerente, imprevisível e muito chato. Sou cheio de manias, mimado, e eu realmente espero que haja alguém...
Eu simplesmente não sei lidar com tudo isso...
Com a vida, com as pessoas e comigo mesmo.
Simplesmente não sei lidar...
E eu realmente espero que haja alguém...alguém que me conheça o suficiente e que tenha vontade de permanecer aqui.
Eu duvido a cada dia mais do amor...
Do que ele é, do que realmente representa e do que eu tenho visto.
Tenho tido tão pouco, que tenho me estratificado em uma rocha impenetrável.
Eu simplesmente sou complexo, traumatizado, maniado, imprevisível, incoerente, estranho, anormal, mas espero que haja alguém que queira tudo isso pra si.
Um dia, não sei quando, mas espero.
Mesmo.
Alguém que queria lidar com tudo isso, por toda a vida.
Eu realmente espero.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

I'm a New Soul...yeah.

Yael Naim - New Soul
Sob influência do filme "Sob O Sol De Toscana."

Sinto novos ares. Vindos de uma parte desconhecida e nova do mundo. O mundo que sempre quis conhecer, e que a cada dia se mostra mais grandioso, e verdadeiramente diversificado. Minhas antigas e por essência paixões se reafirmam, meus dogmas caem por terra e minha vontades se afloram sob uma série de pré-conceitos que outrora eu errei em ter.

Sinto fase de amadurecimento. Sinto o vento me tocar com um sentido diferente.

"I'm a New Soul..." Sim, talvez eu seja uma nova alma. Mais independente, renovada e madura do que nunca. Acreditando mais em mim mesmo, me permitindo ser o que eu quero, me permitindo decepcionar as pessoas...nunca fui tão exigente, não aos meus olhos, mas ao declarar isso, as possibilidades que tenho dado a mim mesmo, o fardo que desmorona à minha volta só exalta o quanto essa possibilidade é real.

Me sinto excitado em pensar o quanto tenho a viver, a conhecer o mundo e definitivamente preciso me ater a esse sentimento. Ser livre é o que todos nós devemos crer sempre. Na nossa individualidade, nas nossas particularidades...temos que crer em NÓS. Ontem, hoje e sempre...família, e amigos são e sempre serão essenciais mas nunca conseguirão mudar dentro de você mesmo o valor que você se dá. Permita-se, ouse, tente mais uma vez...erre muito, levante-se e seja uma nova alma.

A sensação de amadurecer é rara, fugaz e deslumbrante. É como a visão do mar na Ilha de Florianópolis...o tipo de coisa que você acha tão inacreditavelmente bonito e surreal que acha que nunca será abençoado o suficiente para visualizar, com seus próprios olhos.

Precisamos sempre renovar nossos olhos, nossos ouvidos e nossas palavras. Uma reciclagem promove a abertura de horizontes pra lados mil, e a sensação de toques, lugares e pessoas que jamais imaginamos. Quero crescer, para sempre. Quero ter a sensação de amadurecer sempre que eu sentir uma dor tão forte no peito e tomar uma decisão tão árdua que me faça descrer na minha capacidade de viver ou na benevolência Dele. Quero ter essa lição de como é a vida sempre que por ventura eu me ver tão absorto em pensamentos, ódios e desprazeres que minha vida deixar de ser minimamente azul, azul como o céu que diariamente está lá pra nos mostrar como tudo está em seu devido lugar, ou amarela, como a luz do Sol que ilumina tudo o que é vivo, é bom e é eterno, ou vermelho, como uma tarde épica, daquelas que eu tanto gosto.

Obrigado a meus queridos amigos que sempre me sustentam, que seguram e me possibilitam minhas (re)caídas eternas e que sempre me dão chacoalhões pra mostrar que as cores continuam lá.

Obrigado a minha família pela paciência eterna diante de minhas impaciências e descontentamentos vis com a minha crescente vida.

Obrigado a Deus, por me perdoar acima de tudo, diante de meus devaneios para com Ele.




"this is a happy end

come and give me your hand i'll

take you far away"
"Paz e felicidade para nós."
Parabéns.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Me Devolva-ME.

Adriana Calcanhoto - Devolva-me


Tomei a posição. Apesar da dúvida entre o altruísmo e o egoísmo, pela primeira vez visivelmente escolhi a segunda. Diante da tua indiferença torpe em relação ao mundo e a mim, eu escolhi a mim. Decidi abdicar de certas vontades, lutar contra certos princípios e mudar certas ações. No jogo de hipocrisia e poder que você joga com a vida, decidi ser a partir de então a carta fora do baralho. Decidi assumir posição de curinga andarilho. Sim, no começo foi ótimo, foi mais fácil. Era uma resignação em paz, um isolamento saudável, e desde então assim tem sido. Você não sente minha falta, e como eu recentemente deduzi "teus atos contorcem tuas palavras". Sim, que descobri. Depois de um tempo que desejamos que fosse eterno, cada vez mais, se torna penoso aturar. O exemplo que outrora eu idolatrava agora se transforma em alguém que jamais ousaria me aproximar. A sensibilidade, o carinho e todo o cuidado escaparam de ti como criança de vacina. Rápido, sagaz e infeliz...ou não, talvez as lentes sujas que você insistiu, perdão, que eu insisti em usar tivessem me privado de ver essa vagarosa decadência.
Sim, cansado do vitimismo, da infantilidade e da teimosia e me afasto. Me afasto pra tentar viver em paz. Nunca desejei...não, outrora desejei, mas não mais desejo nem desejarei mal algum pra tua vida, jamais. Tenho certeza que tuas imperfeições serão corrigidas por erros de uma vida desregrada que você insistirá em seguir. Não, não é profecia, é presente.
Não me procure mais, sei que logo agora pode parecer ironia, e espero que realmente agora não aconteça.
Me sentir parte nova e minha é satisfatório. Realmente me faz bem ver toda a minha capacidade em mim mesmo. Tenho renovado minha auto-estima, elevado meu ego, e até possibilitado meu erro, desconsiderado minha educação por deveras politizada, e me permitido um bom "vai tomar no cú", pra quem sempre mereceu, mas eu nunca tivera coragem de pronunciar. Quando chego em casa dou-me conta do quão pouco na minha vida realmente representa esse afastamento, e como minha consideração de isso ser só um pedaço, muito pequeno e muito insignificante de mim eu estava correto.
Ser sozinho pra mim sempre foi como um fato. Se não ontem, ou hoje, seria-o amanhã. Minha vida me fez assim, e lidar com isso agora, me parece ser realmente interessante pra uma nova perspectiva e elucidação de meu próprio futuro. Penso mais, falo menos, ouço menos. Mas tenho andado com meus próprios pés, levado meus próprios tapas, formado meus próprios calos, escolhido meus próprios caminhos, e pela primeira vez em alguns meses, respirado meu próprio ar. Cansado de viver numa sombra inconsistente e maldosa, me viro pro Sol e me permito queimar um pouco a pele branca e doente de tanto ócio.

"E depois de uma tarde de quem sou eu
E de acordar a uma hora da madrugada em desespero...
Eis que as três horas da madrugada eu me acordei
E me encontrei
Simplesmente isso:
Eu me encontrei calma, alegre
Plenitude sem fulminação
Simplesmente isso
Eu sou eu
E você é você
É lindo, é vasto
Vai durar
Eu sei mais ou menos
O que vou fazer em seguida
Mas por enquanto
Olha pra mim e me ama
Não
Tu olhas pra ti e te amas
É o que está certo."
Clarice Lispector
"Assim, será melhor."

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Perdão.


Me sinto mal. Um covarde. Logo eu que sempre fora tão critico com relação às ações e atitudes dos outros me vejo nesse momento de tanto primitivismo. Ódio, rancor, raiva, angústia...sim...não teria outro nome pra desejar a indiferença à quem dias atrás tinha todo o meu amor.
Foram os meses mais difíceis que tive esses...desde o começo do ano...talvez desde o ano passado. Sempre vivo com intensidade e acho que não provarei do mesmo sabor duas vezes...me engano de novo. Sou exposto como carne podre às moscas, à mais aprendizados, mais tapas na cara, e mais possibilidades de amadurescimento. Não tem outra forma de ver isso...sim, sou pessimista na vivência do sentimento, mas não na causa dele. Sei que tudo tem um motivo.
Eu levei muita porrada, sofri demais, e agora me sinto mal por fazer do jeito que faço. Não faz sentido me sentir melhor, me sentir mais leve, e mais independente se para isso tenho que desejar o mal dos outros, se pra isso tenho que não desejar o bem. Como um leva o outro nessa estrada, minha lista de gente à desgostar cresce e cresce numa velocidade arrazadora, demonstrando, por ironia, que na verdade ainda sou muito imaturo por levar uns pelos outros. Sinto por sê-lo, e desejo imediata reparação nesse sentimento. Sim, é melhor que a obsessão, ou a posessão, ou o cíume e sangue pelas quais já sa sofri...mas não faz bem, não é certo.
Acredite...acredito, que seja qual for o meu sofrimento, não desejo o mal das pesssoas. Não tenho o direito, nem o poder, nem muito menos o prazer de fazê-lo...isso não me faz melhor, nem melhora a situação, ou ameniza meu ódio. Pelo contrário diametral, me faz sentir mal, piora a situação e acumula mais e mais ódio, como num buraco cada vez mais cavado, ao invés de jogar terra em cima do ódio, terra boa, fértil e de resignação, eu cada vez mais ouso tirá-la, tirá-la e trazer à tona o buraco de ódio e mais ódio.
Não são, não foram e muito menos serão dias fáceis...cada vez mais e mais...a convivência trás prós e contras...ônus e bônus, sempre o faz...e só quero amadurescer, se for pra ser natural, leve e saudável. Não quero nem um pouco de rancor, pelos anos de minha vida que virão, ou então arrependimento por ações que tomei contra as pessoas. Isso jamais! Se for pra me arrepender, seja da prudência, se for pra sofrer seja por crescer e se for pra chorar, que seja de felicidade. Não vou mais correr atrás de ninguém, nem medir esforços pra me manter estático...exatamente...paradinho onde estou. Se eu fizer falta, ótimo, me faça crer que faço mesmo falta, se eu não fizer...bom, no mais, será tudo como já vivi, já senti e já sofri.
Matriculado à tempos na escola do sofrimento sentimental, das dificuldades com relações e aluno nota A em tristeza, depressão e pessimismo, estou mais do que pronto, pra toda a indiferença que vier.
Porque meu perdão, não é para você, ou nenhuma das facetas, que você fez questão de mostrar que eram muitas e fragmentadas...mas para Deus, por ter me propiciado tanto aprendizado e eu ter desdenhado tanto, com ódio no meu coração.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

O Último Dia De Minha Vida...

é como um pressentimento. recordações demais, nostalgia demais. certeza de algumas coisas e como q ruptura com outras, aquelas ervas daninhas que deveriam ter sido cortadas.
no meio de tudo um silêncio sepulcral. a preparação para a lápide. que fique claro que desejo ser cremado, mas antes disso, desejo que doem todos os meus órgãos em útil estado, inclusive a pele, para só então findar com minha existência corporal em cinzas etéreas. não tenho ilusão de jogar cinzas de cima de montanha nenhuma, porque sei, pela minha verdade, que quando meu corpo morrer, eu vazo da Terra na mesma hora.
beijos a todos os amigos, família, e até os inimigos. não guardo mágoa de ninguém, não rancor. se eu for mesmo, vou sem me arrepender de quase nada do que fiz, e muito do que eu deixei de fazer, mesmo. só sinto por não ter conhecido mais, visto mais, experimentado mais, ido mais até o fim, mais, mais mais, mais, mais....sinto pelo mais que não terei.

"no mais, estou indo embora baby..."

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Sou minha e não de quem me quer.

1º de Julho - Cássia Eller

É engraçado...
Tudo realmente tem um porquê.
Depois de uma longa estrada, ao se olhar pra trás se sentir tolo. Mas se sentir tolo é por um único motivo. Se sentir tolo é po uma única razão. Amadurecimento. é olhar pra trás, e penar que teria agido diferente, porque agora vê, porque agora sabe, porque agora sente.
Estou em paz hoje...
Não com ninguém, não sem brigas, não sem discussões...mas comigo mesmo.
Vi que dentro de todo aquele frasco, afinal havia muito mais mistério do que conteúdo. Sinto sim, um pouco de raiva, uma doce raiva escapa por entre essas palavras como a última tragada saindo da minha boca sorrateira. Mas ainda assim, é verdadeira.
É como idealizar um artista e ao conhecê-lo se decepcionar um bocado. Mas no meu caso foi tanta idealização, e tanto sofrimento...que no lugar de decepção, trago liberdade.
Muito tempo...é isso que eu precisava.
Sim, muito tempo.
Ainda tenho dentro de mim todo o afeto, ou ao menos parte dele, e trago comigo minha dose de mim mesmo. Os momentos vem e vão, com sutileza, com suavidade...mas vem.
Pode não ser o último texto...como sempre...mas preciso escrever. Porque sou sentimento, e sem desabafo sou doença terminal.
Foi um amor, passou a uma obsessão, à uma necessidade...depois uma ruptura, uma estranheza recente, e agora a paz. Terei algumas crises esporádicas...terei.
Mas sou mais do que nunca mais eu...chavão do qual poucas vezes pude usufruir e então pra mim é frase de efeito, dando um novo sentindo à tua gramática cansada.
Minha língua saboreia o gosto , aquele gosto que almejei...
Não é mais o cigarro amargo, nem a bebida azeda que você quis me dar...
A última tragada saindo dessa boca, que nunca mais do seu vício provará.

No mais a música diz por si só. Ouça novamente.

Só.

sábado, 25 de setembro de 2010

Oh freedom is mine...

Nina Simone - Feeling Good
Como num blues sem fim..
Numa roda gigante que nunca pára de rodar.
Inevitável não pensar em como seria...
Se tudo isso fosse diferente.
Porque agora vejo o quanto eu sou mais do que isso.
E então é uma situação estranha.
É um afastamento consentido, uma separação talvez sábia.
Sábia pois dentro de nós, há uma normalidade nela, e um não sofrimento, não literal.
Ja não há obsessão, já não há saudade precoce, ja não há preocupação...
E a ausência destas...não sei se melhora a situação...
Tudo mudou, tudo mesmo mudou.
E agora eu voltei a ter valores, a ter opiniões, a ter criticidade...
Voltei a ser quem eu sempre fui...
E com isso, voltou a minha noção...de mundo.
E com ela, consequentemente, minha percepção dessa infeliz situação.
E é etsranho...estranho pensar em como teria sido diferente, como por uma letra não foi.
Mas eu não vou me apegar a como deveria ter sido...
Eu teria sofrido imensamente menos, sim, eu teria.
Mas acho que tinha que acontecer...
Saí mudado afinal, de tudo isso...
A roda gigante começa a parar...o blues chega perto do fim, e eu percebo o quanto foi...bom?...prazeroso?...talvez só, sábio...eu ter esperado toda a viagem...ter esperado ao fim da música...
Como diz a música...
Se eu não te amasse tanto assim, talvez eu visse flores...Talvez.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Desde quando...

Spice Girls - Wannabe
Estive parando pra pensar mais sobre isso nos últimos tempos. Fatalismo pra os mais velhos, e experiência pra o mais novos, mas estou envelhecendo. Me custa a entender, e aceitar mas é fato. O mais estranho é que não é natural a minha percepção disso. Não pensar nisso toda hora, me faz surpreso quando paro pra pensar. Tipo, muito surpreso. Deixa eu exemplificar...aliás, deixa eu começar meu texto.
Desde quando aquele cara que falava " porque sim, não é a resposta" e em seguida nos explicava um significado novo, de repente, se tornou gordo, copletamente careca e passou a apresentar um programa de vespa?
De um dia pro outro deixou de passar pokemon, aquele simples, com o Ash, a Mist e o Brok, pra aparecer um monte de gente estranhas e pokemons geométricos...
De repente a MTV não tem mais música quase...
Do nada, Pitty virou clássico...
A Xuxa queimou os estudios, e ficou chata...
A Angélica escondeu a pinta...
Power Rangers parou de passar, isso sim foi uma blasfêmia...Quando passa, é umas coisas de galáxia, super estranho...o.O
Aquele pirulito que a gente esfregava num salzinho azedo sumiu, e deu lugar à balas de minhoca e dentaduras...
Os emo's surgiram...eram tristes, e pretos...ficaram felizes e coloridos...de repente!
Evanescence sumiu...><
As Spice Girls casaram com jogadores famosos, e deixaram de ser legais...
All Star deixou de ser moda...
Clubber sumiu...completamente.
Dentre outras milhões de coisas, que todos nós, da geração 90, da geração Pós-coca-cola, da geração windows 98, da geração banheira do gugu, perdemos, passamos, ou vivemos...e que de uma hora pra outra sumiram.
Do nada! ò.ó

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Todo o sentimento...

We Are Broken - Paramore



Queria ter o poder de capturar as sensações. Pegá-las por um momento e guardá-las num pote bem vedado. Sinto tanto e tantas coisas ao mesmo tempo e em intensidades absurdas que ás vezes que só queria guardar todo o lado bom das coisas. A felicidade esfuziante, o sorriso desenfreado, a inspiração forte, o abraço do amigo, o olhar que marcou, tudo isso. Até se me fosse permitido, a depressão em natura, o choro sensível, a lágriam bem derrubada, tudo isso também.


Eu simplesmente tenho essa carência, do abraço, do sorriso, da lágrima e até da inspiração...e queria de alguma forma guardá-las. E toda vez que me faltasse o ar, pelo motivo que fosse, abrisse um desses potes sensacionais, e expirasse pra dentro dos pulmões todo o sentimento.


segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O Fazedor de Velhos

Certo livro me fez pensar sobre escrever. Muito engraçado, é que não só xará, o protagonista também se parece íntimamente comigo. A preguiça mental, a vontade de escrever, e a ficção. A emoção de fato é a única coisa que me interessa. Meu êxito nas ciências humanas é por elas serem mais próximas de algo subjetivo. Não consigo ver beleza em números e fórmulas graduadas. Minha ascensão em redação não ocorreria de outro modo, senão por aquele impulso há quase dois anos de fazer esse blog, e com isso, exercitar incansavelmente minha escrita. Mas me incomoda quando tenho que estudar. Me incomoda ter de estudar algo que eu tanto desprezo. Algo que eu tanto julgo e inutilizo. Sou completamente emocional. Sou completamente sensível às sensações. Às vezes sabe, eu observo e sinto tão bem e tão profundamente um momento, que acho que só eu percebo-o. Eu sei descrever com tanta clareza, e exatidão um sentimento, uma situação, uma sensação, que acho que sou tão diferente das pessoas. é ao mesmo tempo uma dádiva e uma maldição. Uma dádiva, porque adoro e acho incrível poder consolidar pensamentos e sensações que outrora passariam despercebidos... colocá-los no papel me possibilita recordá-los, e aprender com eles sempre. Uma maldição porque no ponto em que estou, e como estou esse dom não prova aos que preciso provar no que sou bom e o quanto sou bom. Não me colocará numa universidade minha sensibilidade ao mundo. Não me colocará na universidade minha descrição perfeita da queda de uma folha. Não me colocará na universidade minha pura emoção. Ao invés disso, tenho de seguir como um gado para o abate, regras pré-estabelecidas por uma cultura massiva, uma bíblia mundial para a realização do sucesso.
O tempo é uma coisa muito engraçada. Acho às vezes que o tempo e a vida são a mesma pessoa. Sim, eu penso em sentimentos como pessoas, assim como penso em alguns objetos como pessoas. Sempre fico pensando em como a vida está brava comigo, ou magoada, quando eu estou sofrendo demais...e o quanto ela se decepciona em minhas crises emocionais quando digo a Deus que ela é uma bosta. Mas atendo-se à minha ideia, acho que a vida e o tempo são a mesma pessoa. Acho que o tempo é a parte dinâmica da vida. É como se fosse o motor dela, e regula a velocidade de tudo. Mas esse por sua vez é mais relativo que o universo. O tempo é curto quando estamos felizes e muito longo quando é massante passar por uma tarefa determinada. é muito horrível isso. Porque simplesmente não podemos aproveitar nosso tempo bom, e ele não pode demorar como o ruim? Eu penso que tenho todas as dúvidas dentro de mim. Sim, as dúvidas. Por mais que seja lindo dizer que tenho todas as respostas não tenho...porque em sua maioria não acredito nelas. Não acredito nas respostas que eu, sozinho, acho para mim. Quando estou numa dúvida, sempre consigo considerar e valorizar os dois lados da situação, e isso me torna o ser mais enigmaticamente indeciso e flexível do planeta. Me odeio por isso. Como no livro do xará, quando leio um livro, não critico. Não é que eu não tenha a capacidade de ser crítico. É só que eu começo a leitura disposto a acreditar na tese do escritor. Sempre. E isso me faz ser extremamente volátil, na vida. Essa que por sua vez, é o lado sábio do tempo. Acho que a vida é uma mulher, que usa vestido indiano e tem cabelos grisalhos. Usa um óculos meia-lua e anda descalça. O que me irrita é a solubilidade do tempo na vida. Me incomoda saber...não...sentir que o tempo é tão dissolvido. Me incomoda sentir a dificuldade que a velha indiada impõe a nós. Tá, tá e tá...eu sei que sou um espírito eterno, que estou de passagem e que tenho uma missão...sei que tenho livre-arbítrio, e que os erros são para meu aprendizado...OK! Porém, ninguém nos diz que é tão difícil cara. Estou sim parecendo uma criança chorona, pedi pra nascer e agora to reclamando na descalça...
Bom...
O livro me fudeu. Me deixou num nó mental lascado. Vou passar horas pensando nisso. Fato.
Mas voltando ao meu problema do dia. Tenho uma coisa que me impede de estudar. Não sei se posso denominar como preguiça. Vou explicar o não sei. Não sei, porque e tenho uma autonecessidade de me considerar diferente do mundo, na maioria das vezes acho que sou, mas essa necessidade me faz sentir completamente sozinho. Porque eu simplesmente não admito facilmente que 'preguiça' simples e puramente seja meu problema. Tudo pra mim é potencializado, ao meu, egocentrico, ver. Enfim, esse não saber é horrível. é uma coisa dentro de mim que sabe que será desgastante e chato ir estudar, será cansativo e inútil, sim inútil. Aí vem na minha cabeça, como o anjo e o diabo, dois lados. Primeiro, rapidamente penso no meu futuro sem o estudo....
Eu acordando tarde durante dois anos. Depois disso sendo empurrado pelos meus pais à alguma utilidade. Depois dos 23, sem êxito, eu faço uma escola técnica e viro mecânico. Não...definitivamente não.
Outro lado...eu estudando...
Eu acordado na unesp. Em bauru. Ano que vem. Vendo muito do desenho. Criando. Rodeado de pessoas. Vivendo. Sendo. Sentindo. Todo o furor da faculdade e da minha independência em carne e osso. Tudo que eu sempre quis. Eu fazendo pós. Eu trabalhando e morando em São Paulo. Eu namorando...eu morando junto....num apartamento em São Paulo. Eu SENDO feliz.
Sim, você também deve ter pensado que só esse pensamento impulsionaria qualquer pessoa em sã consciência........
Leia a frase anterior de novo e destaque: QUALQUER PESSOA
Sim, o sentimento de unidade única universal univalente volta. Eu não sou qualquer pessoa. E por mais que almeje mais que tudo esse futuro, eu não consigo vencer a preguiça ou seja lá o meu sentimento que me acometer e estudar. É um caso sério...eu sei. Você deve estar rindo da minha narrativa, e acho que esse dom de dar fatalidade irônica pros textos pode servir pra novos dramas, melhores textos pra dramas. Mais irônicos, mais interessantes pra vocês. Minha primeira pessoa falando à louca aqui, eu raramente falo com vocês não é? Enfim...minha vida é isso. O que alguns parágrafos de um livro indicado por uma amiga igualmente avessa à normalidade e ao comum, me fez. Te amo Gabi.

domingo, 12 de setembro de 2010

Pitty - Na Sua Estante

Te vejo errando e isso não é pecado,

Exceto quando faz outra pessoa sangrar,

Te vejo sonhando e isso dá medo,

Perdido num mundo que não dá pra entrar

Você está saindo da minha vida

E parece que vai demorar

Se não souber voltar, ao menos mande notícias

Você acha que eu sou louca

Mas tudo vai se encaixar

Tô aproveitando cada segundo

Antes que isso aqui vire uma tragédia

E não adianta nem me procurar

Em outros timbres, outros risos

Eu estava aqui o tempo todo

Só você não viu

E não adianta nem me procurar

Em outros timbres, outros risos

Eu estava aqui o tempo todo

Só você não viu

Você tá sempre indo e vindo, tudo bem

Dessa vez eu já vesti minha armadura

E mesmo que nada funcione

Eu estarei de pé, de queixo erguido

Depois você me vê vermelha e acha graça

Mas eu não ficaria bem na sua estante

Tô aproveitando cada segundo

Antes que isso aqui vire uma tragédia

E não adianta nem me procurar

Em outros timbres, outros risos

Eu estava aqui o tempo todo

Só você não viu

E não adianta nem me procurar

Em outros timbres, outros risos

Eu estava aqui o tempo todo

Só você não viu

Só por hoje não quero mais te ver, só por hoje não vou tomar minha dose de você

Cansei de chorar feridas que não se fecham, não se curam

E essa abstinência uma hora vai passar...

Agir.

Adriana Calcanhoto - Devolva-me

Ri. Abraça. Aperta. Ama. Sente. Sofre. Diz. Escuta. Ouve. Pensa. Melhora. Sofre. Cai. Dói. Chora. Grita. Sofre. Dorme. Ignora. Some. Acorda. Sofre. Chora. Escreve. Sofre. Passa. Vive. Cai. Chora. Sofre. Sofre. Sofre. Ouve. Diz. Pede. Tenta. Vive. Ri. Chora. Chora. Chora. Pensa. Age. Pensa. Sente. Sofre. Vive. Passa. Chora. Passa. Sofre. Passa. Escreve. Sente. Sofre. Passa. Escreve. Chora. Vê. Sente. Sofre. Não vê. Sofre. Chora. Cai. Some. Esvai-se. Sente. Sofre. Chora. Sofre. Sangra. Ri. Chora. Ri. Chora. Sente. Sofre. Chora. Escreve. Ouve. Escuta. Tenta. Esforça. Sofre. Sente. Senta. Chora. Cai. Cai. Cai. Cai. Sofre, sofre... Chora.... Sente... Sofre... Sofre... Sofre...

sábado, 11 de setembro de 2010

Clássico

Bat For Lashes - Horse and I

Minha cabeça girava. A estrada em torno era sinuosa. Árvores esguias e troncos tortos adornavam aquele caminho de sombra. Chorões de tonalidades de verde contornavam aquele lugar. Uma trsiteza se abatendo sobre mim. Era algo mágico aquela quase floresta. Musgos e samambaias baixas faziam parte do piso verde claro. Era como um sonho medieval. A qualquer momento poderia passar uma caroça, ou um mago montado num cavalo branco. De repente, aquilo tudo parou. Como numa tecla pause o tempo ali parou. Uma grande esfera luminosa desceu do céu. Vermelha sangue. A esfera desceu e desceu. Foi tornando todo o verde uma coloração estranha, rosácea. Foi descendo e dando ás arvores uma sombra fantasmagórica. Desceu e desceu. Parou em minha frente, no meio da estrada. A esfera tinha o meu tamanho e um diâmetro enorme. Minhas mãos foram aos olhos pela claridade excruciante irradiada. Um pequeno guizo tocava dentro da esfera. Numa batida costante, como diamantes caindo escada a baixo. Incansável e hipnótica. De súbito a esfera foi crescendo, crescendo e clareando mais fortemente à floresta. Até que explodiu. Nada mais vi. Um clarão, branco. Achei ter ficado cego. Era tão branco, que achei talvez nem estar com os olhos abertos, ou se estava, inutilizados. O ambiente foi voltando. Mas a floresta verde e medieval deu lugar ao penhasco de visão mais bela já vista. Montanhas de pedra. Eu estava sob uma montanha altíssima e à minha frente um horizonte infinito. Um pôr-do-Sol púrpura pintava o céu. Tudo era épico. Se era sonho ou realidade, eu já tinha desistido de compreender. O beijo violeta no horizonte ia trazer a escuridão, e não sei mais pra onde eu poderia ir. Mas a certeza da ida era minha. Porque as cores estavam em mim, as sensações e principalmente o tempo. Talvez eu fosse o mago no cavalo branco, talvez eu fosse a esfera rubra, ou por ventura o beijo púrpura no horizonte. Muito provavelmente eu era tudo isso. Eu era tudo isso.

Eu...

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Aquele aperto.

Coldplay - Strawberry Swing

"tem uma passagem que me deu saudades suas
algo sobre ficar um tempo longe de tudo
algo sobre fugir
sobre sumir
de repente me veio uma cena boa
de nós três, viajando, juntos, durante um longo tempo...
numa praia...na minha casa de praia...
só nós três...
divagando, filosofando, indefinidamente...
só estando juntos...
nós três
de alguma forma descansando de nós mesmos...
na nossa mais profunda e pura essência, nossos amigos.
nossos melhores amigos.
nossa, que saudade loucas que sinto ás vezes sabe.
vontade de estar com vcs, no silêncio de um por do sol
na luz prateada de um luar
só em silêncio.
só em presença física.
ou então, de ouvir a voz de vocês, que por mais que eu não esqueça, me alegraria ouvir.
sentir traços de vocês nos meus dias.
tornando tudo mais morno, mais aconchegante e menos difícil sabe.
quero sentí-las pra toda a vida.
do meu lado
sendo pêlo
sendo pele
sentindo todo o mundo que eu e vocês sentiremos um pelo outro
todos juntos
numa unção única
numa união plena
numa complexidade e plenitude inimagináveis
queria ser como um laço infinito...
que onde estejamos, estejamos juntos
seja em cidades, países, continentes, ou mundos diferentes
é uma amizade bonita demais...
é uma amizade dolorosamente introcável demais
é muito mais do que eu poderei jamais descrever em palavrs repetidas
palavras que eu mais irei querer repetir na vida
amor
presença
paz
amizade
muito mais que simples paalvras
é um sentir transcedental
é uma sensação única
é uma união perfeita
é um tripé nosso
star_aacs@hotmail.com diz:
essa é a palavra
nos união é transcedental!
The Scientist. diz:
é um arrepio, um tesão, um sonho, um susto, uma quesa livre
é nosso
e sempre será nosso
star_aacs@hotmail.com diz:
é muito mais do que este plano
The Scientist. diz:
e estar com vocês é muito, mais muito mais fácil do que respirar
do que dormir
é uma aceitação e um estar tão profundo...
tão meu...
tão eu.
é tão natural, tão sem barreiras, sem medos, sem pesares, sem nada...
sem absolutamente nada me privando de me mostrar
de ser eu mesmo.
é um estar sendo eu mesmo num único momento
acho que vocês são as pessoas que conhecem melhor isso que se chama pedro.
porque com vocês eu fui tudo
pianista
ator
amigo
homem
cantor
ser humano
tudo isso
tudo que eu pde ser
meus lados ruins
fumante
ansioso
sei lá
tudo de ruim e bom meu vocês conhecem
tudo isso
e é um estar tão gostoso
tão nosso
tão único
nossa
que saudades
é um aperto desmedido
é um aperto inconsolável
é algo que não poderei nunca transpor
mas me alegra pensar nessa ligação infinita
nessa corda longa o suficiente
que transpassa planos
que transpassa quilometros
que transpassa até a morte
porque é um laço de união e amor puro
de carinho e de sinceridade
é um laço puro de amizade
puro como poucos hoje em dia são
completamente pleno e puro.
amo vocês mais que tudo.
como daria tanta coisa por algumas horas com vocÊs por dis.
como daria.
como daria coisas para estar junto, um pouco por semana.
para ter esse colos conhecidos.
esse abraços fraternos.
esse conhecimento de mim mesmo.
essa sabedoria íntima
amo vocês mais que tudo
hoje e sempre
o farei sem pensar
porque é simples.
porque é fácil
porque é nosso.
star_aacs@hotmail.com diz:
nossa...vc fala tanta coisa linda que eu fico sem ter o que falar
pq vc fala o que eu penso
o que eu sinto
o que imagino
o que projeto
o que sonho
nossa amzade será sempre assim..não precisa de esforço para saber como o outro está
não precisa..a gente simplesmente sabe
é natural tanto quanto respirar
mais natural do que viver"

Everybody's changing

Keane - Everybody's Changing


Eu venho todos os dias ao mesmo lugar. Olho todos os dias profundamente nos mesmo olhos. Aprofundo, adentro-os. Mergulho numa imensidão castanha. Me sinto quente, acolhido, numa beleza tão comum e tão única. Me vejo no meio de algo muito meu. Mas mesmo com todo o sentimento os olhos não se aprofundam em mim.

Mas os segundos que me olham, me sinto nú, me sinto abraçado, e sinto que o mundo pára.

Todo o mundo inexiste, some, simplesmente desaparece.

Só existe eu e os olhos, a me olhar, profundos, quentes.



Em outra parte do dia eu observo, e não sou observado. Vejo no observado a força de vontade para não me observar. O observado tenta parecer natural, mas mal sabe ele que o conheço demais para isso. O conheço tão suficientemente para saber que há algo de errado antes mesmo de ocorrer. Vejo essa urgência em não me observar e me entristeço. Me entristeço porque vejo nela, a indiferença. Vejo nela a ignorância do meu ser. Do meu ser por completo. é como se o observado me visse como alguém doente. Doente em alguns aspectos. Mas não sou.



A indiferença some quando outros entram no campo do observado de olhos quentes. Ela é pessoal e intransponível. Minha. Com toda a dor e pessimismo que esse ser chamado eu carrega.



E então, de súbito. Nem eu sei ao certo em que momentos. O calor volta. O olhar é encontrado, o sorriso é pego no meio do caminho e trazido para aquecer meu coração. Meu coração machucado e cheio de cicatrizes. Não sei nunca o momento. Pode demorar minutos, podem demorar semanas...mas vem.



Me pergunto com certa frequência se algum momento sou mais do que deveria, se ultrapasso alguma barreira da intimidade que não deveria. Mas então, quando questiono, me vêm a mesma resposta. A resposta que deveria continuar aquecendo, como antes aquecia, mas que agora se torna difícil acreditar. Não que seja mentira, mas é que eu tendo a achar que uma coisa muito maior, e muito mais íntima pirva de me mostrar a real verdade. Temo que seja dó. Temo porque odiarei ser digno de pena. E se isso ocorrer, eu explodirei.



Já disse, que não sou, nem estou doente. Só estou em um nível de aprendizado complexo. Se essa for a razão, sinto. Mas há uma possibilidade quase remota, de tudo ser coisa da minha cabeça. Como sempre, de tudo ser criações. Mas essa, infelizmente, é mínima.



No mais, ainda que tudo esteja como está, é cômodo. De alguma forma é cômodo. Continuo no meu estado de sobrevivência, de pedante, mas poderia ser pior. Às vezes sinto umas melhoras, mas logo elas são abafadas pela distância, pela indiferença e pela falta daqueles olhos quentes e daquele sorriso único. Sim, uma coisa sobrepõe a outra sempre, em questão de segundos.



A coisa ruim ainda está dentro de mim. Está talvez sendo domesticada, mas ainda está. Ameaça com certa e incoveniente frequência quebrar as correntes e arrasar com meu coração novamente, mas seguro-a como posso. Dentro de grades frágeis, distantes, e indiferentes.







No mais...todos estão mudando e eu não sinto o mesmo.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Num sonho bom...

Ainda é cedo - Legião Urbana

Num sonho bom eu sonhei com a realidade.

Sonhei com um único planeta, habitado por deuses
Infinitos, sólidos, fáceis.

Sonhei um sonho plano, pleno.

Sonhei que o mundo era imenso, era gigante.

Sonhei que não haviam problemas.

Sonhei que não haviam doenças.
Sonhei que eu não era possessivo.

Sonhei que eu não era obsessivo.

Sonhei que eu era artístico.

Sonhei que me olhava no espelho sem vergonha.

Sonhei um sonho bem sonhado, essa noite eu sonhei.

Sonhei um sonho surrealista.

Sonhei que haviam 11 dimensões...

Sonehi que eu enxergava todas elas. Só eu.

Sonhei que árvores eram frequentes, assíduas, mútuas.

Que a água vinha da terra, e não do céu.

Sonhei que não haviam fobias.

Sonhei que não haviam mortes, só passagens.

Sonhei que São Paulo era minha cidade.

Sonhei que eu amava teatro.

Sonhei com meus ídolos.

Sonhei com meus pilares.

Os originais.

Que a vida era regada de amizades verdadeiras, de colos conhecidos, e palavras confortadoras.

Que algumas pessoas, me conheciam o suficiente pra saber do que eu precisava e quando eu precisava.
Sonhei que não haviam problemas, nem os meus.

Sonhei que eu tinha força de vontade.

Que passaria no vestibular.

Que seria feliz.

Sonhei que morava em Osasco.

Sonhei que tinhas avós próximas.

Sonhei que tinha tias próximas.
Sonhei que eu tocava piano.

Que as notas ecoavam dentro de mim como pêndulos.

Sonhei que eu era livre, que fazia de mim solto.

Sonhei que eu tinha amigos fiéis.

Sonhei que não tinha problemas, nenhumzinho.

Sonhei um sonho tão vívido, tão passado.

Sonhei que eu morava numa casa enorme.

Sonhei que eu tinha um cachorro.

Sonhei que eu era feliz.

Sonhei que as coisas estavam perfeitas.

Sonhei que gostava do Egito.
Sonhei com mangás, animes e personagens.

Sonhei com beijos, com sexo, com sedução.

Sonhei com uma irmã.

Sonhei com professores que eu amava.

Sonhei com coisas que eu queria.

Sonhei que eu tinha pessoa que me conheciam.

Sonhei que eu não tinha que, por vezes, forjar sorrisos.

Sonhei que não tinha que enganar ninguém.

Sonhei que eu era eu mesmo.

Sonhei que eu tinha vontade.

Sonhei que eu estudava muito.

Sonhei que eu sabia.

Sonhei que a realidade pra mim bastava.

Sonhei que tragava, e não bebia.

Sonhei que terças-ferias eram ótimas.

Sonhei que eu me emocionava muito.

Sonhei que eu fazia teatro.

Que me movia, que aquilo era eu por dentro, sonhei que tinha magia, fantasia e ficção dentro de cada poro meu.

Sonhei que eu chorei no colo de amadas amigas.

Sonhei que tudo era lindo, era pleno, e feliz.


Sonhei....


Sonhei....









Eu....sonhei....









Sonhei que o que eu fui era verdade.














Sonhei que....ah.....eu só sonhei.

domingo, 29 de agosto de 2010

Voltar...

Anya Marina - Satellite Heart

É fácil estar bem
Quando não se tem um trem às costas.
É fácil estar bem
Quando não se tem uma obsessão sugando a vida.
É fácil estar bem
Quando se sente normal.
Voltei a sorrir
Voltei a me interessar
Voltei a criar
Voltei a dormir, a sonhar
Voltei da longa caminhada
Voltei do rumo sem fim
Voltei do elevador eterno
Voltei do pesadelo intrínseco
Voltei da realidade alterada em que vivi.
O pensamento está aqui
Sei que ele está.
Está em algum lugar
Esperando, à espionar.
Esperando o pior momento
O momento de tristeza
Pra se infiltrar, e fazer crer
Que o lado ruim continua sendo a obsessão
Que o lado ruim, não é somente um domingo
Somento uma recuperação
Somente uma louça para lavar.
O monstro mais terrível
Permanece e permanecerá.
O monstro mais medonho
o mais temível.
O único monstro que tenho medo
medo de lutar.
O monstro que sou eu.
Aquele que meu (sub)consciente é.
Voltei a fazer
um monte de coisas.
Voltei a enxergar.
Voltei a viver.
Voltei, por algum tempo.
Não se vou voltar da onde vim
E deixar o 'voltei', como um descanso
Como uma trégua.
Mas por um tempo, eu voltei.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Autobiografia de um dia de fênix.

Florence and The Machines - Cosmic Love

Estava pesado...

Decidi me trancar no cômodo branco. Liguei o Bill. Escolhi esta música. Eu pulei e rodopiei. Me joguei de uma parede à outra. Fechei os olhos e me danei pra os possíveis machucados de quedas e pancadas naquele pequeno grande cômodo. Dancei de olhos fechados, senti a música, eu já conhecia as batidas, segui-as. Tentei transportar para meu suor todo o meu incômodo. Com a vida, com ele, comigo com a situação. Tentei transpirar só as coisas que me faziam mal, e deixar esse fluxo mágico musical penetrar nos poros dilatados. Deixei-me levar pela batida, e dancei, pulei e esqueci. Esqueci que tinha andares, esqueci que tinha gante em casa, esqueci que tinha paredes. Me senti livre, me senti num campo ensolarado e cheio de trigo...pulando, correndo desesperadamente, sentindo o vento, sentindo o Sol, sentindo os trigos roçarem rápidos e afiados meus joelhos. E depois veio a chuva... Estava na praia. Tudo nublado, e a música muito alta. Eu cantava, eu gritava, eu sentia, eu pulsava. Essa bateria era meu coração. Essa harpa era meu movimento. Essa voz era a minha voz. Eu rodopiava, eui flutuava, eu corria eu pulava e eu sentia. Sentia tudo aquilo que eu realmente deveria sentir. E a harpa ia se complexando ao fim da música, e meus dedos seguiam-na, seguiam cada pincelada, até que ao fim, esperado e previsto, eu parei em frente ao espelho do cômodo em que eu permanecia, e ao último acorde eu endireitei e abri os olhos.



David Draiman - Forsaken


Depois de pular e dançar, parei. Atônito. Ofegante. Em frente àquela imagem. Olhei para o rosto que deveria ser meu. Olhei para o reflexo fixamente, e analisei cada centímetro daquele corpo que deveria ser meu. Olhei para a boca, para os olhos, para a escápula exposta, olhei para a barriga peluda, olhei para os braços fracos, para os dedos compridos. Ao fundo a música que lembrava o que eu costumava ser.

Uma música que misturava maldade, sexo, sedução, e sangue. Uma música que representa uma parte de mim que adoro, e pouco exponho. O lado sombrio, aquele que eu acho um barato eu ter, e que ninguém acredita. O lado que gosta de sangue, e queria ser vampiro.

Olhei tão fixamente que me perdi no olhar.

- Quem é você? - O outro perguntou. Sério, inquisitor.
Mantive o olhar e a feição idênticas ao do questionador.
- Sou Pedro Lima D'Água.
- Onde você nasceu?
- No Jardim Paulista, em São Paulo.
- O que você é?
Me demorei nessa resposta...
- Sou teatro, sou música, sou arte, sou São Paulo, s.... Sou muito mais do que meus olhos podem ver, sim eu sou.
- Por que você se perdeu? - Ele me interrompeu.
...
- Porque eu passei a viver a vida dos outros. - Porque você fez isso?
- Pra me livrar da minha. Porque era mais fácil, e porque... eu não sei se sei o porquê. - A respostas fluiam. Sem medo, sem hesitação, sem pensamento.
- O que você sente?
- Dor. Quero acabar com isso.
- O que você pode fazer para?
- Voltar a me olhar, voltar a me ver. Voltar a ser eu mesmo. Voltar a me apresentar como sou. Mandar as neuras que não faze parte de mim pro além. Mandar um foda-se pra tudo isso. Mostrar tudo o que sou, o tudo mostrável. Mostrar que não quero mais permanecer do jeito que estou. Na verdade, nem tanto me mostrar. Mas ser. Mudar. Preciso mudar.

Então olhei para o cabelo do inquisitor, e passei a mão nele. Estava estranho, desarumado sim, mas sem corte com uma textura feia. De súbito me veio a ideia de cortá-lo. Tomei um banho correndo e andei até o cabelereiro.




Brett Dennen - So Much More



Andei na rua absorto. Mergulhado na ideia da mudança. "O orkut estava certo: Sorte de hoje: Hoje pode ser um dia excelente e maravilhoso - só depende de você", pensei turbilhado. Andei por aquelas ruas com vontade, olhando para os caros, para as casas, e com um passo firme nos pés. Tinha me esquecido como gostava de andar nas ruas. Sem rumo, só andar. Então cheguei ao libertador. Lavei as correntes, e então sentei na cadeira que me tiraria do que eu não queria mais ser. Veio o salvador, com a tesoura numa mão e o pente na outra. Disse como queria me parecer, e ele o fez. Tirou as correntes e cadeados que prendiam minha personalidade. Me mostrou depois de alguns minutos em outro revelador de reflexos o que eu me tornei, e eu gostei. Saí de lá logo, e voltei para casa. Andando por aquelas ruas, escuras agora, continuei pensando no que tinha me tornado. No que tinha voltado a ser. Cheguei em casa e voltei ao banheiro. Estava cheio de cabelos ao redor do pescoço e orelhas, e precisava fazer a barba e cortar a cutícula.





Placebo - Every You Every Me



Depois de todos os processos feitos, me olhei de vez. O rosto limpo, a cabeça limpa, as mãos limpas. Nada bastaria toda aquela limpeza se meu interior não fosse mudado. Preciso me apegar forte e fixamente à essa mudança. Toda mudança é acostumável, seja ela qual for. Basta eu ter força de vontade suficiente, e eu hei de ter. Depois de todas essas fases eu hei de ter. Porque não importa mais a relação, ele, as outras, os outros, a importância, o desinteresse, a indiferença, nada disso importará. Porque se quero continuar sendo aquela pessoa confiante e sincera, devo fazer valer minhas palavras, inclusive as que proferi hoje mesmo - Os outros, todos os outros, todos, todos, todos os outros irão, mas você ficará. Então fique bem com você sempre, porque depois que todos se forem, e os seus esforços tiverem sido em vão, será intolerável viver consigo.

Já chega de discursos, de vagas ideias. Ja chega de tentar. O pensamento será mudado. O interior maso/pessimista será contido. O confiante será trazido à tona. De uma vez por todas. Não adianta me perguntarem se melhorei, ou inferirem que realmente AGORA eu saí de onde estive. Isso não é uma simples fase, isso não é uma simples crise. Não me importo que leve tempo. Mas preciso dizer isso a mim mesmo. Preciso acalmar meu coração desesperado e consolá-lo, com a vaga incerteza de melhora. Porque se eu disser de novo, e antes da hora, irei por tudo à prova, irei jogar todo o esforço por água à baixo, de uma só vez. E dessa vez chega. Só dessa vez chega. Vamos mudar, aos pequenos passos, aos pequenos suspiros, e pensando sempre no meu eu. Pensando que a vida é tentativa, o aprendizado é sofrimento e a evolução é superação. Pensando que para crer não basta ver, é preciso compreender. Pensando que nada importa. Pensando que eu sou melhor. Pensando que sou muito mais do que olho pode enxergar. pensando que nada disso valerá em pouco tempo, e que se eu não mudar agora, não mudarei mais.







Pensando em não pensar... naõ pensando.

Pesado.

Florence and The Machine - Heavy In Your Arms

Eu estou tão pesado...tão pesado...tão pesado nos seus braços.

"A minha alma nem me lembro mais em que esquina se perdeu ou em que mundo se enfiou..."
Não quero mais ser literal, não quero ser direto. Não quero mais depender, não quero ter que me afastar. Não quero o pedante, implorar, ajoelhar. Não quero mais descaso, indiferença, falta de vontade. Não quero mais ter vergonha de me mostrar. Não quero sofrer. Só quero melhorar...
Não sei se é o tempo, não sei se é a atitude que não tive coragem de tomar, não sei o que é que me resolverá...
Estou absorto, e apesar de negar assumir, acho que regredi...
Tive uma semana boa e estável, mas regredi.
O pior é que não suporto nem pensar nisso, não suporto mais nem olhar pra onde estou, assumir onde estou.
Eu simplesmente estou cansado...cansado demais de tudo isso.
Cansado da dependência, cansado da falta de devolutiva...
Não sei se estou sendo mais uma vez egoísta, mas se estiver, eu tenho meus motivos pra ser...
é uma bosta, porque não posso fazer nada, por medo.
Medo de tudo se explodir, de tud ruir, pela fragilidade que eu vejo em tudo isso.
Temo, por não querer, tão perto do fim, começar tudo de novo...
Temo porque o cansaço não é só meu...
E todas aquelas vontades lindas, já se foram...
Agora só resta uma convivência cada vez menos agradável e gostosa...
Minha parte linda, tem se tornado opaca, sem brilho e derretido aos poucos, dia após dia..



No mais, se tudo estiver errado, desconsidere-me.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Evanescência.

Brick My Boring Brick - Paramore




16 de Setembro de 2007


Em meio a um ano atribuladíssimo. Em meio a sentimentos mal resolvidos. Em meio a um grande e principiante torpor. Em meio á uma exclusão semestral. Em meio ao fim de um ciclo. Em meio à tantas incertezas, e tanta vontade de crescer. Em meio a juventude plena. Em meio a tudo isso nós começamos...

Ela apareceu acanhada, sofrendo, excluída. Eu acolhi ela... Como excluído que era naquela época, como renegado e pisado que era. Nós dois podemos sim dizer que fundamos os 7. Porque só depois que eu e ela nos tornamos dois pudemos nos tornar o tripe e só muito depois os 7. Aqueles orgulhosos e satisfeitos 7.

Passamos por muita coisa juntos. Brigas leves, repreensões, quedas minhas e dela, putarias, risadas, choros e muitos, crises, mas sempre nos arrumamos.

Ela sempre me fez sentir único, especial. Ela me conhece melhor que qualquer um dos "9". Ela conehce meus gostos, minhas manias, e prevê minhas atitudes. Ela segue meu olhar, ela pega meus sinais, ela sempre está onde e quando preciso. Ela é intransponível e intransferível. Um tantão cabeça dura, um tantão orgulhosa, mas isso tudo eu dobro com amor, com muito e muito amor que tenho destinado só a ela.

Nunca, com ninguém eu criei uma palavra. Isso mesmo, criar uma palavra. Mas nós dois criamos. Um verbo só nosso. Que descreve só a nossa sensação, só o nosso sentimento. Evanescer. Um significado que dispensa explicações pra nós e é a representação mais sublime da pureza do sentimento. Só nosso.

Nossa tranferencia, nossa genialidade e nossa singularidade Juntos. Só Juntos.



Te evaneço ontem, hoje e sempre Marina Ellero Carvalho.

domingo, 15 de agosto de 2010

Definhando.

Matthew Mayfield - First In Line

Em que ponto me perdi?

Até que ponto faz sentido? Viver, tentar, lutar, vencer...?

Não sei se tenho opções...

Acho que essa é uma daquelas situações da vida, em que não há opções...você só tem que lidar com isso.

Sei na verdade divina da frase " portanto dê o melhor de si...", que eu hei de aprender muito, e muito com isso, quando e se, eu superar. Meu medo, não é de não aprender, não é de ter mais 4 meses de mais do mesmo... meu medo é ver que a distância seja a única forma. Não, não a distância pela ausência, mas pelo fracasso espiritual e psicológico que eu me tornarei eternamente pra mim mesmo. Pela fraqueza eminete que eu terei em mim, e um medo interminável de me relacionar no futuro. Pela veronha de não ter conseguido lutar contra isso, e só o tempo ter sido capaz, evidenciando minha inutilidade.

Eu não sei se acredito numa melhora, não sei se acredito que haja uma força dentro de mim, uma força de vontade, suficientemente forte pra me levantar. Sei que estive à beira do abismo, e sei com certeza, que não voltarei pra lá. Não sei se devo ficar feliz ou triste por isso. Pois não ir mais pra lá, deveria significar melhorar...mas eu simplesmente me acomodo. Tudo bem, não vou a beira do abismo, mas também, lutar é muito difícil. Estagnei.

Definhando, sim, definhando, todas às vezes que sento no sofá e penso...

Pensar nunca foi, nem nunca deveria ser penoso. Meu pensar é constante, sou um ser pensante, e me voltar pra dentro de mim sempre foi bom, sempre foi reflexivo, e me tornou mais crítico. Mais em alguma parte disso tudo, quando me perdi, a parte boa do pensar deu lugar a uma obsessão, a uma doença insaciável. E agora o pensamento me persegue...

Sim, talvez eu não tenha ocupações o suficiente, talvez tenha tempo demais pra pensar, mas não consigo me conformar com a ideia de ter que me afastar do meu pensar, pra não definhar.

Definho sim, e não sei se mudarei, não sei...porque não sou forte, porque não tenho força de vontade, porque não tenho auto-estima e porque estou rendido.

A única opinião que me importa nem sempre é consistente como deve ser. Não posso reclamar, não posso mudá-la, não posso cobrar (quase) nada dela... apenas tenho de aceitá-la, e isso é demais.

Não vou fazer absolutamente nada a respeito, vou continuar onde estou...

Talvez invisivelmente, inevitavelmente, eu esteja sendo impulsionado, esteja mudando, me adaptando...

Sim, em alguma parte sinto mudanças, mas pensar assim...não sei talvez seja ser otimista demais, seja ser condescendente demais, seja ser bonzinho demais comigo mesmo.

Sou imediatista, pessimista e rígido, e tenho medo de cedendo sofrer mais.

Acho que as armas que tenho na mão, e que ja me ensinaram a usar podem até servir, mas eu estou fraco, ou quero ser fraco demais pra usá-las. É mais fácil, mais cômodo, mais próximo, numa curta escala ficar onde estou, mas eu sei...só eu sei, que no longo prazo, eu sofro, sofro muito. E o mais triste é que ainda assim não me arrependo, prefiro permanecer...

Não sei que sentimento é esse, não sei que posse é essa, não sei, simplesmente não sei. Só tenho medo de por não saber, não consiguir mudar nesses 4 meses. Porque isso pra mim representa derrota... Derrota pra mim, pra ele, pra Ele e pra vida. Representa que não terei outra chance, que a situação continuará assim, durante anos e anos, e tornarei a minha pessoa tão especial em uma parte ruim, da qual me aproximar só trará sofrimento, em que tempo for.

Preciso me mudar, eu sei que sim, mas estou tão completamente perdido que não sei, não sei se consigo, duvido de mim, e exito pelo medo da dor, que já se apossou tanto de mim a ponto de me amedrontar. Eu costumava ser mais vivo...

Acho que Deus, deve ter planos grandes pra mim. Deve ter uma missão muito grande e muito complexa pra mim. Espero que eu faça jus, de alguma forma, ás expectativas Dele, do meu jeito, na medida que eu conseguir e na medida que tiver forças...Sei que Ele sempre espera mais, e me sinto pressionado por esse voto de confiança, pressionado a tentar mais um pouco...mas quase sempre, sempre caio, exito, e deixo passar.

Hoje é o dia de pensar, por isso, só vou pensar. Pensar naquele vazio, naquela lugar que quero criar e me enfiar sempre que precisar pensar. Sem nada, sem obsessão, sem família, sem amigos, sem absolutamente nada,






só o meu pensar.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Quebra

The Fray - Look after you

Cada dia acho que me conheço menos. Por mais que saiba da onde vem meus dramas, quais são as causas e quase sempre quais as soluções, na maioria estou perdidamente enganado.
Depois de duas semanas intensas, a gente pára pra repensar um pouco.
Muita coisa eu já esperava, outras nem tanto. Aceitações maravilhosas sim, acolhimento não. Respeito sim, gostar não. Leveza sim, mas identidade não.
Acho que a gente veste máscaras na vida, e quando vim pra Rio Preto vesti uma das máscras mais espessas que ja criei. Uma máscara que me fez cômodo, e sem eu perceber me tornou alguém, a longo prazo, que eu desconhecia. Alguém que fazia-me acreditar que era eu, mas não era. Não podia ser.
E então ontem, essa máscara foi espontâneamente tirada, mas o importante é que eu percebi, só depois de tirá-la que ela era uma máscara. Percebi que talvez, só talvez, ela fosse a cuasa de muitas angústias, de quase toda a perda da identidade, e dos machucados diversos.
Talvez não, talvez, como muitas outras vezes seja só uma coisa a mais, e não A coisa que têm definido meus dramas. Mas ainda assim, me sinto muito bem. Me seinto eu novamente...
Aquele Pedro artístico, livre, sincero e original.
Aquele á quem me esqueci de adorar.
Agora que tudo, dentro de mim, parece voltar, ou pelo menos parece mais eu, estou tranquilo, estou mais apoiado, mais assistido. Mesmo que não seja A coisa, é uma grande coisa.

Liberte-se!

sábado, 31 de julho de 2010

Recomeço.

Nossa canção: Kick Ass - Mika




Eu não tinha dúvidas. Eu estava decidido. Tinha pela primeira vez tomado uma grande decisão, sabia em algum ponto que ia sofrer, ou achava que sabia.

Depois do Adeus. apesar de eu erroneamente pensar no contrário, houve sim contestação. Não só contestação, mas mágoa. Eu fui tolo, de diversas formas.

De achar que você não se importaria com isso, que você acaietaria facilmente, de achar que não faria falta pra você. Mais tolo ainda de achar que doeria pouco, de achar que seria fácil até.

Bom, começemos do começo. Eu disse a ele, tudo, tudo aquilo. E ele, ele se magoou. Chorou, se quebrou, partiu-se...eu...eu me surpreendi, me surpreendi pela sua reação. E fui tolo, mais uma vez.

Depois de toda a mágoa, tinhamos uma decisão á tomar: afinal, acabar com tudo, ou tentar?

Eu estava, estava convicto antes de nossa conversa. Decidido a acabar com tudo, mesmo.


"Mas com a beira do precipício á minha frente, quando meus pés começaram a deixar pequenos pedregulhos caírem, fenda abaixo, quando eu vi o quão longínqua a queda sería e quando me machucaria no tombo, eu virei pra trás, dei ás costas ao precipício e o olhei nos olhos uma última vez:
- Você tem certeza? Eu sei que fui eu a sugerir, mas agora, aqui, a ponto de perder tudo, eu vejo que doerá muito mais. Então, me diga, pela terceira e última vez que tem certeza. Que está realmente decidido, que você não aceitou isso por mágoa, que você acha mesmo que nossa solução seja essa, que você também precisa de espaço, me diz.

- Precisamos ser suficientemente homens pra assumir que o que nós não queremos, é o que nós temos que fazer, sejamos homens Pedro, sejamos...

- Não é sobre ser homem que isso se trata. Não é. Isso se trata de amor. Você mesmo disse. Eu posso sim, aos olhos seus, meus, ou de quem forem estar sendo ridículo agora, posso estar sendo medíocre, posso estar sendo um idiota, por uma última vez colocar o 'nós' a frente do 'eu', mas eu não me importo, não mesmo. Sabe por que? Porque eu te amo, e agora eu vejo. Vejo que se tiver que passar mais 6 meses tentando, internamente, que sejam. Que se eu tiver mesmo que passar 6 meses lutando de qualquer forma, se é pra ser lutando contra a sua ausência ou lutando contra mim mesmo, eu prefiro lutar contra mim mesmo. Passar mais 6 meses lutando contra mim mesmo, mas próximo a você, perto de você, podendo olhar pra você nos olhos, contar meu dia, meus problemas, ouví-lo e fazer desses seis meses ainda melhores. Tentar de uma forma diferente, e só quero tentar, porque eu te amo. E então? O que você me diz...?

Uma esperança, uma última esperança começou a abrir o tempo naquele penhasco. Um único e tímido raio de Sol, perfurou aquela espessa tempestade que estava sobre suas cabeças, negra, feroz, e iluminou-os. Como um toque divino o céu abriu um orifício para iluminá-los...

- Que seja. Tentemos então. Eu verei mais seu lado, e você verá mais o meu. Eu tentarei ser o melhor amigo que eu posso te dar, e você a mim. Porque eu te amo cara. Você é o homem da minha vida. Quero fazer dar certo, eu quero mesmo. Porque você é o de todas horas, porque gosto de te ter como minha pessoa, porque você me faz feliz, porque você é minha pessoa. Eu te amo cara, então tentemos.

- Por amor, tentemos então. Eu e você, tentemos. Juntos, e farei de tudo para dar certo. Que sejam maravilhosos 6 meses. Que consigamos. Nós somos jovens, nós somos fortes, nós somos livres, e estaremos correndo com sangue nos nossos joelhos, mas com essas cicatrizes, iremos lembrar de o quão bom é estar juntos. Em que circunstância for. Juntos, para sempre.

Então me afastei daquele penhasco. Num abraço de 10 minutos selamos nosso recomeço. Selamos nossa eterna tentativa, selamos nosso amor, selamos nossa eterna amizade, selamos que queremos mais que tudo estar um junto ao outro, sempre. Selamos que somos diferentes, mas faremos de tudo pra permanecermos juntos. Selamos que tentaremos ser o melhor possível um para o outro. Porque nós nos amamos. Porque somos muito bons juntos. Porque ele é minha pessoa. Só ele."


No mais, ainda que nada dê certo. Nós tentamos, tentamos até o último instante fazer dar certo. Porque melhor do que tomar uma medida drástica, e certeira, é tomar uma cautelosa, esperançosa, mas com amor. Com muito amor. E dará certo. Dará. Porque podemos contar um com o outro, e é o que basta.



Ás vezes o que eu vejo, quase ninguém vê...quase. Porque ele...ele fará de tudo pra ver, sempre.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Adeus.

Música Imprescindível: Turn And Turn Again - All Thieves



Preciso conversar com você, e não faça essa cara, será a última conversa, prometo.



Não dá mais pra mim, eu cheguei no meu limite. Eu sei que eu disse que teria que ser você a fazer isso, e disse que por mim jamais mudaríamos, mas eu estou no meu limite.



Estou num ponto em que não me conheço mais, e isso é devido a nós. Isso é devido a onde nós chegamos. Nunca foi tao intenso em tão pouco tempo, eu tenho certeza disso. E isso tudo...nós...eu não quero que seja esquecido, o que somos é maravilhoso, e não deve ser esquecido. Serão lembranças ótimas, mas acabou.



Desde o começo, nós tentamos, mesmo contra todas as probabilidades, nós tentamos. Mas erramos.



Eu fui pedindo que você mudasse, e fui mudando pra me adequar a você. Eu fui tirando pequenos pedacinhos do que você era, fui roubando-os de você, e fui dando os meus próprios pedaços, sem você pedir, o que é mais triste ainda. Isso não está certo, uma relação, seja ela qual for, não deve ser assim, então chega.



Dando esses pequenos pedacinhos meus, eu fui me tornando alguém que não sou, alguém que eu não conseguia mais reconhecer, tudo por você, pela nossa relação, assim como você o fez. Indo pra São Paulo, eu encontrei sim a parte que perdi de mim, porque lá eu fui eu mesmo, sem me tornar ninguém melhor por outro, melhor não diferente, só fui eu mesmo. Descobri que ela estava aqui, que estava com você. E foi aí, só aí que achei a solução.



Eu realmente preciso me aproximar de mais pessoas, ou mais das pessoas, que seja, mas não vou conseguir isso sem me afastar de você. Não vou conseguir se você ainda estiver aqui, como você está. Porque vou ficar pensando, vou ficar criando, e não consigo mais. Estou cansado demais.



Eu me martirizo, faço drama, tragédia, porque eu sou intenso. Porque eu sinto tudo isso nessa intensidade, mesmo. Porque tudo isso sempre foi muito mais pra mim do que pra você. Fiquei louco, fiquei sim, porque amei mais do que fui amado, porque gostei mais do que fui gostado, porque me importei mais do que fui importante, e porque precisei mais do que sou preciso. Enlouqueci porque tentei, de todas as formas fazer dar certo, e me enganei.





Não acho que alguém tenha culpa nessa história toda, não acho. Só acho que nós, não fomos feitos pra nós. Que você não daria certo comigo, nem eu daria certo com você. Que do jeito que somos, na intensidade que estamos e na circustâncias que somos, não deu certo.





Não precisa ficar triste, não precisa. Não precisa porque o melhor disso tudo, é que sei que você não vai correr atrás. Que não vai fazer algo pra mudar. Sei que você vai continuar na sua, como sempre esteve, sendo você. Sendo esse alguém com quem não consegui coexistir.





E por esse motivo, tudo será menos difícil. Porque você não tentará mudar o que eu disser, e isso pode dar certo.





Não me julgue, se perder de si mesmo é a coisa mais desesperadora que ja aconteceu comigo, e não posso continuar assim, não posso.





Eu lutei, tenha certeza disso, lutei com todas as armas que tinha pra não ter que tomar essa decisão. Lutei contra todas as possibilidades, mas não há outra opção. Não conseguirei. E se cheguei no ponto de admitir que isso é o melhor pra mim, e se estou disposto a fazê-lo, me deixe fazê-lo, porque está sendo profundamente doloroso pra mim.





Essa é uma das coisas mais difíceis que ja fiz, e de alguma forma me orgulho, porque estou tomando a decisão sozinho, sem ouvir ninguém, sem precisar de uma segunda opinião. Porque eu sei, que isso é o certo.





Você está na melhor fase que poderia estar, e não sentirá minha falta. Ninguém é inesquecível, não ao menos introcável. Você sempre esteve bem sem mim, e vai ficar muito melhor sem mim novamente. Não precisa ser uma despedida, não precisa, é só um afastamento.





E será melhor, acredite, não só pra mim. Acabaram as discussões, acabaram as "manias", acabaram os torpores, as preocupações desnecessárias, acabou a dor de cabeça, acabou a encheção de saco, tudo acabou. Pode se tranquilizar, e voltar a ser você também, quem você era.





Eu vou seguir em frente, eu vou. E conseguirei voltar a brilhar. Conseguirei jogar fora esses sapatos que tanto me traziam bolhas e calos, esses sapatos que apesar de tudo foram os melhores sapatos que jamais pude ter. E só então poderei entrar no mesmo barco que minha metade, e velejar com destino ao infinito que tanto acredito, descalço enfim.








Não será como se eu não tivesse existido, porque mente e coração, nunca esquecerão, mas é só o que teremos.











Você foi o melhor amigo que eu jamais tive.











Obrigado, pelos 6 intensos meses que me deu.














Adeus.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Aquilo que sou.

Trilha Sonora: La Noyee - Yann Tiersen


Gosto de chuva. Gosto do pudim de leite moça da minha avó. Gosto do arroz doce da outra avó, e também de suas roscas de polvilho. Gosto do cafuné no cabelo que só elas duas sabem fazer, com mãos experientes e delicadas, apesar de uma vida de trabalho marcado em sulcos na pele. Gosto de música. Gosto da França. Gosto de digitar no computador. Gosto de correr. Gosto do barulho que o aparelho do oftalmologista faz quando ele troca as lentes e diz: "esse ou esse, melhor assim ou assim". Gosto de tirar 10, porque 9 pra mim parece triste, e se não for 10 prefiro 8. Gosto de andar em São Paulo. Gosto de metrô. Gosto de cheiro de hospital. Gosto do cheiro do hamburger do MC Donald's. Gosto de tomate só em Rio Preto. Gosto de sorvete de leite ninho. Gosto de andar sozinho. Gosto de atuar. Gosto de desenhar. Gosto de imaginar. Adoro sonhar, sobre futuro, sobre situaçãoes. Gosto de arte. Gosto muito dos meus amigos. Gosto de papel higiênico folha dupla pra o número 2, e folha simples pra assoar o nariz, pq a folha dupla gruda na caca e estraga a assoada. Gosto de shampoo que dispensa condicionador. Gosto de ir a livraria, mas me dá vontade de fazer cocô. Gosto de ir a cafeterias pra tomar leite com chocolate. Gosto de ser como eu sou. Gosto de sombra. Gosto do Sol só no entardecer, quando ele fica épico no céu. Gosto da lua, principalente cheia. Gosto de me sentir alternativo. Gosto de me vestir bem. Adoro receber ligações no celular, mas sempre sou rápido, sou complexado com gastar créditos, sejam meus ou dos outros. Adoro mandar sms. Gosto de dançar. Gosto de moda. Gosto de desfiles também. Gosto de tirar cutícula. Gosto de comer feijão em cima do arroz. Gosto de comer doritos e tomar coca enquanto assisto uma série. Gosto de rir, gosto muito de rir. Mas chorar sempre me agradou mais, é mais raro chorar, entenda. Gosto de me sentir artístico, de que me digam isso, gosto de sentir criatividade fluindo dentro de mim, me faz levitar, mesmo. Gosto de viajar de ônibus. Adoro avião. Gosto de motos de alta velocidade, aquelas que você deita pra pilotar. Gosta de liberdade, ou pelo menos da ideia de ser livre. Gosto de amar e ser amado. Gosto de cantar em voz alta enquanto lavo louça. Gosto de cozinhar, mas depois tenho preguiça de comer. Gosto de coca-cola, e muito. Gosto de gente reservada, acho que fico um tanto seduzido a desvendá-las. Gosto de conversar. Gosto das pessoas sabe, não me julgue pelos momentos de raiva, mas gosto muito das pessoas, acho que o mundo tem muito a oferecer. Gosto dos olhos, sim gosto muito dos olhos. Gosto de beijos, acho uma das maiores demonstrações de amor que existe. Gosto de fazer palhaçada também, bastante. Gosto de frango. Gosto de comédia romântica, mas sempre me deixa carente no fim. Gosto de drama, e gosto de comédia, prefiro drama. Gosto de fronha de travesseiro macia. Gosto de dormir com edredom sempre. Gosto mais de praia que de sítio, não necessáriamente do mar, mas da casa na praia. Sou 100% urbano. Gosto de garfos, facas, e copos específicos. Gosto das batidas do David Guetta. Gosto de ver a cidade à noite. Gosto muito de vento. Mais do que de fogo, ainda que goste desse. Gosto muito de dormir. Gosto de sexta à noite. Gosto de canais de tv a cabo. Gosto da MTV também. Gosto de fazer compras no mercado, mas só de fazê-las. Gosto de músicas lentas, ou então melosas, músicas tristes são muito boas. Gosto de Lady Gaga. Só gosto de cortar o cabelo depois de três dias, quando ele cresce e o corte deixa de ser certinho. Gosto do cheiro de livro novo, de apostila, de roupa nova. Gosto de saber das coisas. Gosto de sedução. Gosto de fantasia. Gosto mais de caneta preta do que azul. Gosto de zappear os canais sem parar em nenhum. Gosto do som do piano e do cello. Acordeon também me agrada muito sem dúvida como o dessa música. Gosto de comentários em fotos no orkut. A propósito, gosto muito de fotografia. Preto e branco, não em sépia, não colorida. Gosto de saber que sou diferente, pelas pequenas e infinitas coisas que gosto.




Não gosto de pensar no infinito, na galáxia. Não gosto de história do Brasil. Não gosto de matemática, nem um pouco. Não gosto de cirurgia plástica. Não gosto do Faustão. Não gosto de rosa. Bão gosto de música sertaneja. Não gosto de tomar banho de tarde, ou de manhã ou de noite. Não gosto que meu cabelo arme. Não gosto da coca no mc donald's (aguada). Não gosto de tênis. Não gosto de cinto. Não gosto nada de ser acordado. Não gosto de calor. Não gosto de cebola, nada nada. Não gosto de traição. Não gosto de gente que anda devagar, na rua mesmo. Não gosto de futilidade. Não gosto de filme de terror sem fim. Não gosto de gastar as coisas, é sério, sou muito econômico, odeio desperdício. Não gosto de suar, mas suo. Não gosto de ser menosprezado. Não gosto de luminosidade. Não gosto de carne com batata. Não gosto de livro com capa feia. Não gosto de distância. Não gosto de raiz forte. Não gosto de manga no sushi. Não gosto de cerveja. Não gosto de mandioca. Não gosto de solidão, não sempre. Não gosto de dependência. Nao gosto de injustiça, fico fulo com isso. Não gosto de pressa, apesar de mim ser como sou. Não gosto de banalidade, quero que seja dada importância ao que merece. Não gosto de indiferença, isso me preocupa muito. Não gosto de Pepsi, nossa odeio, mesmo. Não gosto que pão pulman grude no céu da boca. Não gosto de fazer nó de gravata. Não gosto de internet lenta. Não gosto de desperador que faz : pi pi pi pi pi. Não gosto de pegar em faca afiada, me dá aflição. Não gosto de bombril, também me dá aflição. Não gosto das minhas coisas fora do lugar. Não gosto de ser apressado. Não gosto de fio dental. Não gosto de hipocrisia. Não gosto do Gugu. Não gosto de futebol, apesar de tentar. Não gosto de desempacotar as compras que acabei de ter o maior prazer fazendo. Não gosto de me atrasar, apesar de ser O atrasado. Não gosto de filme dublado, odeio, sério. Não gosto de Chaves. Não gosto de peixe, não muito. Não gosto de despedida. Não gosto de perder o pensamento, esquecer. Não gosto de preguiça. Não gosto porquisse. Não gosto de desorganização. Não gosto de lápis sem ponta. Não gosto de grosseria. Não gosto de desconfiança. Não gosto de pastel, me dá azia quase sempre. Não gosto de unha pós-cortada. Não gosto de suposições. Não gosto de lugar fechado, sou meio claustrofóbico sim. Não gosto que me digam que sou magro porque não como. Não gosto de um monte de coisas, que não lembro, e não gosto de não me lembrar do que deveria.




Gosto de ser eu mesmo, com minhas particularidades. E acreditar que mesmo com tudo que me aocnteça na vida, eu sempre serei maior que tudo. Porque minha vida não é feita só de relações. é feita de mim, substancialmente de mim. E mesmo que tudo isso caia por terra, mesmo que todos a minha vlta se afastem, me acalma saber que ainda terei a mim. Terei a mim om minhas particularidades, qualidades, defeitos. E sempre entrando e saindo de mais relações, que nunca serão, nem chegarão perto do que meu mundo é. Porque eu...eu sou muito mais do que meu próprio olho pode enxergar.
Descubra-se.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

"Diga que você me quer...porque eu te quero também."

Ouça: Luz Dos Olhos - Cássia Eller

O querer é suntuosamente distante do poder. Incrível e verdadeiramente assombroso. O querer pode ser profundo, mas não está atrelado a poder. Fato que no meu caso não tenho feito absolutamente nada pelo poder, fico só no querer. E acho, de alguma forma, que só isso já é fazer muito, que já estou sendo prestativo comigo mesmo, bobagens.
Tem hora que a gente não quer ficar, não quer pegar, não quer nada disso, mesmo porque eu nunca fui disso. Mas o que eu quero mesmo é amar. Estranho esse querer. Um querer amar, sofrer por amor e com o que mais ele tiver pra me fazer.
Essa música tem razão...ainda acho que ela será trilha de um grande amor meu. Espero mesmo, ela resume meus anseios e desejos para com um amor. E minha voz se encaixa perfeitamente nela, o que me dá fortes esperanças.
Sentimentos e quereres, sempre muito inconstantes, muito volúveis.
Espero conseguir, nessa nova fase, nova de fato, que começa a se desenrolar á minha frente, que venham amores, muitos amores. Não ficadas, nem pegadas, mas grandes amores.
E que Luz Dos Olhos, seja um deles. Que um deles seja realmente a LUZ dos meus olhos.
Dando a cara à tapa sim, e me jogando como nunca no mundo. Andando de pés descalços, como alguém diria, ou quem sabe calçados. Muito bem calçados.

sábado, 17 de julho de 2010

Á ela...

Cemeteries of London - Coldplay

O metrô corria. Aos meus olhos passavem barras metálicas velozes, ferozes. A fome por velocidade. A incapacidade de saber se era dia ou noite. A iluminação falha do vagão que piscava e tremeluzia. Os passageiros cansados, enfadonhos e resignados com o comum. Mas meus olhos viam o que os deles não viam. Meus olhos viam a magia. Viam a liberdade, viam naquela velocidade arrazadora todo o progresso.


O vagão levitava, estávamos levitando, era como se ao invés de trilhos estivéssemos guiados por asas. Me lembra agora esta narração uma descrição antiga, de Machado ou Eça narrando alguma invenção maravilhosa do novo tempo. Mas pra mim isso também devia ter se tornado enfadonho, rotineiro, mas não. A cada viagem de volta pra São Paulo o trecho era diferente, mas a sensação era a mesma. A sensação de frescor, de novidade, de juventude e liberdade.

Meus olhos se atiam a uma fina barra metálica que velozmente passava aos olhos e o som ao fundo do tilintar de metal do vagão contra o trilho ia sendo deixado de lado. Minha mente vagou...


Fatos de um ano passaram por minha memória, o que um ano me mudou, todos que conheci, tudo que me afetou, todas as ecolhas que fiz, todas as atitudes e as repercursões das que tomei, tudo passou á minha memória. Um pouco trsite, um pouco progressita fui retornando ao presente. Retornando á barra metálica, ao barrulho irritante e amável do vagão contra o metal. Ao retrato da metropolização contemporânea de pessoas acomodadas á tecnologia e submissas a ela.











No mais, mesmo que tudo isso me fosse tirado, mesmo que do mundo eu fosse levado, ainda havia ela. Sem mim, comigo, independentemente ela continuaria lá. Minha São Paulo.